Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007

Ataque de nervos

Ontem voltei a ter um dos meus ataques nervosos. Chorei. Chorei. Chorei como se não houvesse hoje. Ele fez o que pode para me consolar. Nada. Mas esforçou-se, e isso, hoje, conta muito. Desta vez não gritei. Falei um bocado mais alto que o costume, mas consegui não berrar, nem partir nada. Fiquei surpreendida com esta nova modalidade de neurose.

Maldisse toda a minha anterior existência. Exceptuei-o, para não o magoar. Mas o desejo interior que me gritava sem parar impelia-me a maldizer toda a existência desde a génese paternal. Ontem bastava-me ter nascido com qualquer outra condição que não humana. E foi assim que o tardio da noite se abateu sobre mim. Saí para rua. A claustrofobia agudiza-se nestas situações. Ar e espaço. Muito.

Caminhei sem direcção. Vagueei pelas sombras da minha vida. Perdi-me pelos meus fantasmas. O caminho, instintivamente, levou-me, novamente, a casa. A ele. A nós.

A música: Knockin' on Heaven's Door
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Egotismo de Sophia às 10:56

É difícil...

A cada recanto do sonho descobre-se um novo mundo. Que não estava planeado. Não se controla um sonho assim. Ele ganha vida própria. Deixa quem sonhou ficar. Novamente, sem sonho para realizar. E buscam-se, então, novos recantos para sonhar.

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Egotismo de Sophia às 10:52

Nunca se sabe... (parte 3)

Achei que podia começar.

- Posso pedir que seja descoberta a cura de doenças?

- Claro que não! Porque é um pedido altruísta. Não podes. E, além disso, temos protocolos da companhia com determinadas entidades. Portanto pedidos tipo finalistas de miss, esquece. Nada de erradicar fome, pobreza e afins. Os pedidos têm que ser egoístas.

- Ok. Quero uma moradia isolada, com dois pisos, garagem, 3 quartos, 4 wc's , sala com lareira, cozinha totalmente equipada e já mobilada. E garagem com um automóvel dentro. De preferência carrinha familiar.

- Mas tu sabes contar?! Isso são é mais de uma dúzia de desejos! Pedes uma coisa e depois sujeitas-te ao que há disponível em stock e às marcas com as quais temos acordos.

- Assim é impossível!

- Ok. Aqui para nós, porque estou bem disposto e hoje já atingi os objectivos. Depois de ti vou descansar. Queres mesmo alguma coisa?

- Ser feliz.

- Mas és de compreensão lenta! Achas que tenho felicidade, saúde ou amor em stock?!

- Quero um automóvel, mas quero o dos meus sonhos.

- Ai! Primeiro, nada de pedidos directos, segundo, é o que há em stock. Modelo económico de há 2 anos e sem garantia da marca.

- E pede-se como? Quero deixar de andar de transportes públicos?

- Tens que te despachar. Faltam 5 minutos para o fim do teu tempo!

- Não me falaste em tempo limite!!!

- Não perguntaste.

- Mas que raio de Génio és tu afinal?

- Génio corporativo ao serviço dos interesses da empresa! Qual é a tua dúvida?

- Mais valia que não existisses.

- Processando... Frase afirmativa. Desejo egoísta. Desejo indirecto de não me ter encontrado. Dentro do tempo limite. Desejo concedido. Acabou o tempo.

...

Acordei com areia na boca... Sensação que não aconselho. E este foi sem dúvida dos sonhos mais estranhos que já tive.

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Egotismo de Sophia às 10:51

Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

Porque a Xana já o disse... resta-me copiar

Pela janela mal fechada
Entra já a luz do dia
Morre a sombra desejada
Numa esperança fugidia

Foi uma noite sem sono
Entre saliva e suor
Com um travo de abandono
E gosto a outro sabor

Dizes-me até amanhã
Que tem de ser que te vais
Porque amanhã sabes bem
É sempre longe demais
Acendo mais um cigarro
Invento mil ideais
Só que amanhã sei-o bem
É sempre longe demais

Pela janela mal fechada
Chega a hora do cansaço
Vai-se o tempo desfiando
Em anéis de fumo baço

Eu: gosto de Rádio Macau
A música: Amanhã é Sempre Longe demais
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Egotismo de Sophia às 11:07

Nunca se sabe... (parte 2)

Já refeita, a bem da verdade, não me cheguei a refazer do susto e do espantoso da situação.

Mas, considero-me desenrascada e lá me controlei o melhor que pude.

- Vais conceder-me quantos desejos?

- Um mínimo de 2 e um máximo de 4. Tu decides.

- E quais são as condições?

- Em traços gerais é só uma. Não podes pedir nada do que verdadeiramente queres directamente.

- Hein?

- Dou um exemplo, seu quiseres dinheiro, tens que escolher ter uma profissão ou ocupação rentável.

- Ok. É se pedir directamente?

- Perdes dois desejos. Esse e mais um de penalização. Queres começar?

E neste momento percebi que não sabia por onde começar. Sabia que queria dinheiro, há coisas que são incontornáveis. Sabia que precisava de pedir saúde para umas quantas pessoas e sorte para outras tantas. Mas não queria errar ! Lembrei-me da brochura e das condições gerais.

- Posso ver os papéis que me falaste no início?

- Claro!

Deu-me uma folha A4 onde se lia "Peça até 4 desejos!" "Torne a sua vida no que sempre sonhou" "Se não ficar satisfeito, concedemos-lhe um desejo final!". Tinha umas imagens de sítios paradisíacos, bons automóveis, casas e só.

Pedi as condições gerais. Fiquei nas mãos com um manual que tinha o tamanho de uma lista telefónica de Lisboa. Abri e não me espantei de ver letras que necessitavam de lupa para decifrar.

- Esperas que eu leia isto tudo?

- Claro que não, só mesmo a brochura! Isso podes ler depois! Não é nada importante! Mas despacha-te. Não tenho o dia todo.

 

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Egotismo de Sophia às 11:07

Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007

Nunca se sabe... (parte 1)

É-me acessível passear na praia. Agora que as praias estão mais vazias, gosto mais.

Gosto de ouvir o barulho das ondas no silêncio do mar. Ver as minhas pegadas na areia. Sentar-me e contemplar o mar.

Num destes passeios tropecei. Estava descalça, ainda disse umas quantas palavras menos próprias. Mas logo parei de praguejar. Esfreguei os olhos. Tropecei numa lâmpada... Sim. Daquelas de que só tinha ouvido falar na história do Aladino. Foi mais forte que eu. Baixei-me e apanhei-a. Certifiquei-me que ninguém estava a ver. Instintivamente, esfreguei. Uma, duas, três, quatro vezes e nada... Ri-me da minha tolice. Peguei na asa e já me preparava para a ir deitar num caixote...

- Eh! Espera aí! Ah! Uma mulher... Impaciente tu!

Caí na areia estupefacta. De olhos esbugalhados, percebia o ridículo da cena. Eu sentada na areia. A lâmpada ali um metro mais ao lado, caída. E uma criatura suspensa no ar a falar-me assim. Belisquei-me. Olhei, novamente, em volta. Não estava ninguém na praia.

- Sim? Sou o Génio da Lâmpada. Vou conceder-te desejos. E depois tens que atirar a lâmpada ao mar. Certo? Sabes o que pedir ou queres dar uma vista de olhos na brochura e condições gerais?

Eu ainda estava presa ao ridículo. Não conseguia fazer-me articular palavra perante uma criatura que estava envolta em nevoeiro, pouco denso é certo, mas flutuava, vestida de fato e gravata, com uma pasta na mão e uns papéis na outra. Mas esforcei-me.

- Vamos por partes. Ponto 1, isto não é um sonho?

- Não! Como podes duvidar da minha existência se me vês?

- Não vás por aí. Vejo muita coisa na qual não acredito. Ponto 2, és um Génio e vais conceder-me desejos a troco de nada?

- Eu disse que te concedia desejos. A troco de nada, já foste tu a acrescentar!

- Ok. E dizes tu que posso ver uma brochura. E, já agora, desculpa lá, mas de fato??? Então e o figurino típico das histórias?!

- Não sejas ridícula! Esses génios só existem nas historietas de encantar. São uma vergonha para a nossa classe e só causam mal-entendidos quando aparecemos.

Claro que me senti muito menos ridícula depois disto!

 

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Egotismo de Sophia às 12:45

A diferença

Já tive medo de ficar sozinho, agora tenho medo de ficar sem ti.
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Egotismo de Sophia às 11:00

Terça-feira, 25 de Setembro de 2007

Uma menina bem comportada

És uma canção que Deus escreveu. Não me interpretes mal, eu sei que isto pode soar um pouco estranho, mas tu és dono do espaço onde todos os meus pensamentos se vão refugiar. Eu encontro-os sempre debaixo das tuas roupas.

Debaixo das tuas roupas há uma história infinita, há o homem que eu escolhi, há o meu território. Há todas as coisas que eu mereço por me portar bem!

Por tua causa, eu esqueci que sei mentir, fiquei sem razões para chorar. Quando os amigos saem , a festa acaba, nós continuamos a pertencer um com o outro.

Amo-te mais que tudo o que há no mundo. Dançar, falar, andar, respirar...

Sabes que é verdade.

É engraçado, quase que não dá para acreditar. Tal como cada voz está iminente do silêncio, os candeeiros estão suspensos do tecto. Como uma senhora cingida à educação, eu estou amarrada a este sentimento. Mas não. Não é porque está na música que é verdade. Estou presa a ti porque o amor liberta, mas também amarra!

Porque és o homem que escolhi. Porque te mereço. Porque sei que é no teu corpo que escrevo e vivo uma história sem fim.

A música: Underneath your clothes
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Egotismo de Sophia às 14:09

Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

Espera

 Foto: Sarah Moon

 

Quando a alma quer solidão...

Esconde os olhos do mundo e vota-se ao silêncio dos seus pensamentos.

 

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Egotismo de Sophia às 13:58

Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007

Ex.mos Senhores,

Quero que também esta carta o acompanhe. Ele há-de lê-la.

Grata pela vossa simpatia.

 

Meu amor,

 

Não te respondi porque, por amor, queria apenas paz para ti.

Sei que não partes com raiva de mim. O nosso amor não to permite.

Quero que esta carta seja a mais curta que te escrevo.

Terás todo o tempo do mundo para nos acompanhar e saber a verdade do que te digo.

Sei que me perdoas o que fiz. Não cumpri o que te disse. A mentira também coabitou em mim.

Contra o que me pediste, tenho comigo um novo amor, teu.

Tal como pediste, vou falar-lhe de ti todos os dias da minha vida.

Sou tua até que a morte me leve. Serei tua mesmo depois de ela me levar.

O teu eterno amor.

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Egotismo de Sophia às 13:16

Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007

Mergulho

Solidão. Mar límpido e cristalino. Superficial. Tenebroso e viveiro de monstros. Profundo. Céu azul luminoso. Universo vasto e escuro. Distante. Mundo. Indivíduo. Só.

Sentado num divã fala sem ser ouvido. Fala para si. Para se ouvir. Do mais intimo do seu ser. Debita tristezas, mágoas, frustrações, sem parar, sem pensar. Desnuda-se para si. Espera dessa nudez o renascimento. A redenção. Nada.

Perscruta-se até à alma. Ao que não há. Ao que não tem. Ao que quer. Sonha. Divaga. Mente-se.

Felicidade. Efémera. Tristeza. Constante. Amizade. Alguma. Amor. Nenhum.

Vive sem viver. Morte. Cada dia um pouco mais. Guerra. Incessante. Diária. Para chegar a um novo dia. Por nada. Por tudo. Lutar. Recomeço. Mergulha em si. Fica. Quieto. Só. Parecer. Ser. Respirar. Mais um dia. Sempre.

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Egotismo de Sophia às 10:41

Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007

Exma. Senhora,

Vimos por este meio informá-la que o senhor deixou de ter capacidade para escrever. Ditou a carta que segue em anexo. Lamentamos, mas será a última, uma vez que desde ontem perdeu também essa capacidade. Deixou expressa a vontade de permanecer aqui e de não receber quaisquer visitas.

As nossas mais sinceras condolências.

 

...

 

Meu amor,

 

Não respondeste.

Quando receberes esta carta eu já não poderei, certamente, ler uma resposta.

Não pensei que a tua vontade de omissão falasse mais alto que a tua verdade, mas falou. Fui duro contigo. Não o mereces.

Quero que saibas que sempre, desde que entraste na minha vida, procurei que o meu caminho fosse o de fazer-te feliz. Acho que o consegui. E sinto que fracassei.

Não quero com esta carta aumentar a tua mágoa. Nada me teria dado mais alegria do que partilhar estes últimos meses contigo. E partilhei. As tuas cartas foram lidas e relidas ao desgaste. Vão ser a minha última companhia.

A raiva passou. Gostava de ter sabido do teu novo amor. Mas respeito-te.

A minha vida foi feliz contigo. Não tenho mágoa, nem mesmo pelo final.

Se puder, quero acompanhar-te. Ser parte da tua vida. Da tua memória. Do teu coração.

Tenho apenas um pedido. Estranho. Ou talvez não. Mas, ainda assim, um último pedido a fazer-te. Acredito que  a tua vida tomará um novo rumo.

Fala de mim aos teus filhos. Nem que me contes como se fosse o amigo de uma amiga.

Apenas to peço porque gostaria que fossem meus. É egoísmo. Mas quero pensar que um dia os teus filhos me vão conhecer.

Ainda te amo e sei que nós será o meu último pensamento.

O teu velho e sempre amigo que não deixa de te amar.

 

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Egotismo de Sophia às 13:44

Terça-feira, 18 de Setembro de 2007

Jovem insónia à beira de um ataque de nervos

Amor? Paixão? Alguém que me explique o que é… Porque eu já não sei… Estou tão confusa! Sinto que tenho o controle dos meus sentimentos mas já não sei o que sentir. É como se estivesse a preparar-me para me lançar no espaço, no escuro, na imensidão…

Porque é que tudo tem de ser tão complicado? Sentir? Amar? O que é isso? O que é que torna o amor tão especial?

A confusão? A indecisão? A sensação? Ou será que não é nada disto? Anda um mundo todo enganado…

Dúvida. Angústia. Ai que raiva! Sentir-me assim impotente e no meio da noite nada poder fazer e o sono me atormentar com a sua ausência!

Porquê? Não sei! Quem me dera saber como será o amanhã…

Sono! Vem, faz-me esquecer tudo… Leva-me para o mundo do sonho. Dormir até de manhã, em que um novo dia começará e eu terei de enfrentar mais uma batalha entre mim e eu própria. Sim! Porque no final tudo se resume a uma luta dentro de mim! Porque é que não posso aceitar que talvez tenha chegado a hora? Não posso! Não quero!

Chega, pára de pensar, pára de escrever, pára de sentir! Eu tenho que descansar!

Não sei. Só queria… Já nem sei o que queria… ou quero… Sei lá… Será que alguém me pode dizer? Claro que não! Disparates! Só eu posso saber aquilo que quero… Se calhar até sei mas recuso-me a ver o óbvio…

Porquê? Porque não estou preparada… não sei se quero enfrentar este desafio que me surge…

Raios! Às vezes penso se não seria melhor só ter sentimentos simples, mas se isso acontecesse o que é que seria de mim? Não seria eu. Seria outra qualquer a vaguear por este mundo. Assim sei que sou eu!

Egotismo de Sophia às 14:16

Ego sum

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